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Resposta rápidaa investigação não mostra uma vantagem clara entre deixar a canábis e o tabaco ao mesmo tempo ou um de cada vez. Os estudos sugerem que tratar o tabaco em simultâneo não atrapalha a paragem da canábis e que adiar demasiado o tabaco faz muita gente desistir. Datas próximas, com cerca de duas semanas de intervalo, são um bom meio-termo.

Quem fuma charros e cigarros, ou mistura tabaco na erva, costuma ficar preso nesta pergunta: "se deixar tudo de uma vez, não vou aguentar; se deixar só um, o outro vai tomar conta". As duas preocupações fazem sentido. A boa notícia é que há investigação sobre isto, e ela tira algum peso à escolha.

Porque é que a canábis e o tabaco andam juntos?

Para muita gente, as duas substâncias formam um sistema só. O cigarro vem depois do charro, o charro leva tabaco lá dentro, a vontade de um puxa a do outro. Os estudos sobre o consumo combinado de canábis e tabaco, como a revisão de Walsh e colegas de 2020, associam esta combinação a mais dependência e a menos sucesso nas tentativas de parar.

Em Portugal, o tabaco continua muito presente. No inquérito nacional de 2022 à população geral, cerca de 32% das pessoas entre os 15 e os 64 anos tinham fumado tabaco no último mês, e 2,4% tinham consumido canábis. Se mistura tabaco no charro, vale a pena ler tabaco no charro antes de decidir o plano.

O que diz a investigação sobre deixar juntos ou separados?

O estudo mais direto sobre esta pergunta é um ensaio clínico de Lee e colegas, publicado em 2019. Acompanhou 67 adultos em tratamento para a canábis que também fumavam cigarros, divididos em dois grupos:

  • Simultâneo: tratamento para o tabaco, com aconselhamento e substituição de nicotina, a começar na primeira semana.
  • Sequencial: o mesmo tratamento para o tabaco, mas só a partir da semana 13.

Os principais resultados:

  1. Nas primeiras 12 semanas, os dois grupos tiveram resultados parecidos na canábis. Tratar o tabaco em simultâneo não atrapalhou a paragem da canábis.
  2. No grupo sequencial, só cerca de 30% continuavam no tratamento quando chegou a vez do tabaco. Ou seja, esperar demasiado fez muita gente perder-se pelo caminho.
  3. Algumas pessoas do grupo sequencial começaram a largar o tabaco por iniciativa própria antes do tempo.

O estudo foi pequeno, e os resultados foram modestos nos dois grupos. Os autores tratam-no como ponto de partida, não como veredicto.

Deixar o tabaco atrapalha a recuperação de outras substâncias?

É uma preocupação antiga, também entre profissionais. Uma revisão Cochrane de 2016, de Apollonio e colegas, reuniu 34 ensaios com pessoas em tratamento ou recuperação de álcool e outras drogas. O tratamento para o tabaco aumentou a probabilidade de deixar de fumar e, segundo o resumo da própria universidade dos autores, não aumentou o regresso ao consumo de álcool ou de outras drogas. A qualidade da evidência foi considerada baixa, mas o sinal vai no mesmo sentido do estudo de Lee.

Juntos ou um de cada vez: prós e contras

Deixar juntos Um de cada vez
Abstinência As duas ao mesmo tempo: a da nicotina começa em horas, a da canábis em um ou dois dias Uma de cada vez, mais leve em cada fase
Risco de troca Menor: não sobra uma substância para ocupar o espaço da outra Maior: os cigarros podem subir quando a canábis desce
Gatilhos Desmonta o ritual inteiro de uma vez O ritual continua pela metade
Motivação Um único esforço grande Dois esforços mais pequenos, com risco de adiar o segundo
Bom para quem Fuma charros com tabaco, ou sente que uma coisa puxa a outra Sente que não aguenta tudo junto e tem datas bem definidas

Não há uma resposta certa para toda a gente. O que costuma pesar é o seu padrão de consumo e aquilo de que sente que é capaz.

Como montar um plano com datas próximas

Uma forma prática de juntar os dois caminhos é parar em sequência, com um intervalo curto. Por exemplo:

  1. Semanas 1 a 3: reduzir a canábis aos poucos e tirar o tabaco do charro, sem deixar subir o número de cigarros.
  2. Semana 4: dia de deixar a canábis.
  3. Semana 5: reduzir os cigarros, com apoio do médico de família e, se fizer sentido, substituição de nicotina.
  4. Semana 6: dia de deixar o tabaco.

A regra de ouro é não afastar demasiado as datas, com cerca de duas semanas entre elas. É uma síntese prática da investigação, não um protocolo testado, e pode ser ajustada com um profissional. O passo a passo da redução está em como deixar de fumar canábis.

Se preferir parar tudo no mesmo dia, prepare-se para uma primeira semana mais intensa. Veja o que esperar em abstinência de nicotina e em abstinência de canábis.

Cuidado com a troca disfarçada

O risco mais comum de parar um de cada vez é a compensação: a canábis desce e os cigarros sobem sem que dê por isso. Alguns sinais de alerta:

  • O número de cigarros passou da sua média durante três dias ou mais.
  • Começou a fumar cigarros em momentos em que antes fumava charros.
  • Depois de deixar a canábis, o cigarro passou a ser o "novo charro" da noite.
  • Voltou a fumar cigarros depois de ter marcado uma data para parar.

Se notar isto, não é um fracasso. É informação. Antecipe a data do tabaco ou procure apoio.

A medicação ajuda?

Para o tabaco, sim. A Direção-Geral da Saúde lembra que apoio comportamental e medicação juntos duplicam o sucesso, e que só 3% a 5% de quem tenta parar sem ajuda continua sem fumar ao fim de um ano. Os substitutos de nicotina, como adesivos e pastilhas, vendem-se sem receita nas farmácias e também ajudam quem tira o tabaco do charro. A vareniclina (em genérico) e a citisiniclina precisam de receita médica e têm comparticipação do SNS desde 2024.

Para pedir apoio, fale com o seu médico de família ou pergunte no centro de saúde pela consulta de cessação tabágica. As listas de espera podem ser longas em algumas zonas, por isso não espere pela consulta para começar a reduzir. Também pode ligar para o SNS 24 (808 24 24 24).

Para a canábis, não há medicamento aprovado. O que tem mais evidência é o apoio psicológico, como a terapia cognitivo-comportamental e a entrevista motivacional. As equipas dos Centros de Respostas Integradas (CRI) acompanham estes casos, e a Linha 1414 do ICAD ajuda a encontrar a resposta mais próxima.

Um plano que trata as duas como um sistema

O Vida Livre é uma app para reduzir ou deixar a canábis, os cigarros e o tabaco do charro, tratados como um sistema só. Monta um plano personalizado com as duas datas, tem um botão SOS para a hora da vontade, avisa quando os cigarros começam a subir enquanto a canábis desce e não apaga o seu progresso se escorregar. Mais ninguém vê os registos. Não substitui o acompanhamento profissional.

Perguntas frequentes

Se deixar a canábis, vou fumar mais cigarros?

Pode acontecer, e é comum. Por isso vale a pena acompanhar o número de cigarros e não afastar demasiado a data de deixar o tabaco da data da canábis.

Deixar tudo ao mesmo tempo é perigoso?

Para a maioria das pessoas, não. A abstinência de nicotina e de canábis é desconfortável, mas costuma passar em algumas semanas. Se tem outra doença ou consome outras substâncias, fale antes com um profissional de saúde.

Qual devo deixar primeiro?

Não há regra fixa. Muita gente começa pelo tabaco no charro e pela canábis, e deixa os cigarros logo a seguir. Outros preferem o contrário. O mais importante é que as datas fiquem próximas.

E se só fumo charros com tabaco, sem cigarros?

Então já consome nicotina todos os dias. Tirar o tabaco do charro é um ótimo primeiro passo, e pode ser feito antes ou durante a redução da canábis.

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui o aconselhamento de um profissional de saúde. Em crise, ligue 1411 (Linha de Prevenção do Suicídio, 24 horas) ou 112.

Sobre este conteúdoEscrito pela equipa do Vida Livre com base nas fontes listadas acima, dando prioridade à DGS, ao SNS, à OMS e às revisões Cochrane. Não substitui aconselhamento profissional. Encontrou um erro? Avise-nos · Política editorial